Nossa história

Eduardo Cesar Valuche Oliveira Brito – Historiador

 

O Asylo Espírita João Evangelista continua ininterruptamente, desde a sua fundação em 28 de outubro de 1923, com firmes propósitos: asilar, proteger, amparar.
A idéia de criação da instituição surge quando o Sr. João Carvalho Junior, no ano de 1923, procura a Sra. Adelaide Augusta Câmara com impressos prontos que continuam no cabeçalho “Abrigo João evangelista – para meninas e senhoras de idade desvalidas”. Tais impressos eram listas para angariação de donativos para a instituição que se iniciava.

Em 1923, Francisco Lopes e sua esposa Ana Olivia de Medeiros Lopes põem a disposição “o seu palacete na rua Bolinas, no. 97, em Copacabana, para sede do Asylo, sem remuneração”. Em 1927, a instituição já aparece situada á rua Visconde da Silva, no. 92 – em Botafogo. Além da obra de ajuda material, Adelaide Augusta Câmara, conhecida como Aura Celeste no meio espírita, deu inicio aos trabalhos espirituais com estudos e passes no Asylo Espírita João Evangelista. Devemos destacar o apoio incondicional fornecido por Dr. Amaro Abílio Soares Câmara, marido de Adelaide Augusta Câmara, para o desenvolvimento dos propósitos do Asylo Espírita João Evangelista.

Em 1927, inaugura-se o Departamento Infantil com a missão de cuidar, proteger e abrigar “meninas desvalidas”, tendo inicialmente a definir a época da entrada das asilados – aprovado para maio deste ano. “Crianças destinadas ao seu amparo e proteção, sendo pela primeira vez até 12 o número fixado”.

Em 1928, aparece pela primeira vez Adelaide Augusta Câmara na presidência da instituição. Aura Celeste permanecerá a frente da instituição desempenhando as funções de diretora e presidente, ate o seu desencarne em 1944. É fundamental destacar o trabalho realizado ao longo destes anos, pois o cenário para o desenvolvimento do trabalho da instituição não era fácil: manter uma instituição com altos custos sem nenhum tipo de financiamento público, enfrentando a discriminação ao movimento espírita e, a perseguição política exercida pelo governo da época as instituições espíritas. Contudo os desafios foram sendo superados, a partir das máximas trazidas por João Evangelista, através de “Aura Celeste”, destacando os valores de “zelo e amor a causa espírita e aos interesses do Asylo Espírita João Evangelista”.

Em 1957, Lourival Câmara (filho de Adelaide Augusta Câmara) assume a presidência da instituição, permanecendo ininterruptamente por trinta e oito anos, continuando o trabalho de sua mãe, guiados pelo amor, a caridade e a missão espiritual assumida pelos fundadores. Ao longo desses anos enfrentou inúmeras dificuldades financeiras, mudanças jurídico-legais e a necessidades imperiosas que alteraram desígnios iniciais. Utilizando da técnica História Oral, a partir de depoimentos de ex –alunas identificamos algumas características de Lourival Câmara, tais como sua conduta energética, firme e responsável. A paixão de seus atos saltava aos olhos quando ouvia o hino do Asylo, carregado de sentimentos certamente pessoais ligados a Adelaide Augusta Câmara, sua mãe e uma das fundadoras do Asylo Espírita João Evangelista.

O projeto inicial da instituição começa dar indícios de mudança, quando o presidente Lourival Câmara redige explicações sobre não ter ocorrido á realização da segunda parte do programa da casa, que consiste no amparo das senhoras de idade desvalidas. As razões já dão indícios sobre a nossa situação da instituição: a questão financeira. Alguns relatos registrados, a partir de entrevistas com antigas abrigadas da instituição através da História Oral, apontam as dificuldades vivenciadas neste período expressado como um “momento complicado”. Contudo, mesmo diante das dificuldades, os propósitos traçados por Aura Celeste são mantidos: inaugura-se o Departamento de Idosas, com o fim de abrigá-las e protegê-las.

Em 1964, ocorre a grande mudança a partir da reforma do estatuto da instituição: “O Asylo Espírita João Evangelista, fundado em 28 de outubro de 1923, com sede nos edifícios de sua propriedade sitos a rua Visconde da Silva números 92 e 96, tem por foro jurídico no Estado da Guanabara e é mantido com os recursos angariados entre os seus associados e quantos mais desejarem concorrer para esta obra de Assistência Social”. Esta alteração muda com poucas palavras, o sentido da instituição que primava à caridade e o Ethos Espírita definidos na sua fundação, incorporando o foco do movimento espírita para o da Assistência Social. Neste processo, é mudado também o foco deste novo trabalho de Assistência Social: “O amparo gratuito às meninas constitui objeto primacial da instituição, podendo em qualquer época, desde que a diretoria unânimente a descida cessar a Assistência às senhoras de idade, cujo departamento será extinto paulatinamente, não mais se admitindo qualquer asilada a partir da data de resolução”.

Contudo, este foco da assistência não é algo totalmente novo, pois a instituição sem nenhum tipo de regulação e tipificação desempenhava funções distintas das instituições educacionais da primeira metade do século XX: uma assistência de caráter estritamente pedagógico, conduzido pelo perfil educacional trazido por Aura Celeste. Contudo, devido às exigências legais da época, foram necessárias adequações enquanto instituição de ensino particular, para manter-se funcionando.

Esta característica, talvez, seja o que ira acompanhar os rumos da instituição para o futuro. A partir das mudanças trazidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990 e, posteriormente com o Sistema Único de Assistência Social, foi tipificada o Serviço de Convivência Familiar e Comunitária, indo ao encontro dos princípios de uma assistência humana desempenhada historicamente pela instituição sob os valores do asilar, amar e proteger.