Fundadores

Adelaide Augusta Câmara (1874-1944).
AURA-CELESTE-002Filha do Dr. Henrique Leopoldo Soares da Câmara, conceituado médico, que foi deputado estadual pelo Rio Grande do Norte, e de Da. Maria Balbina Soares da Câmara, nasceu em Natal, capital daquele Estado, aos 11 de janeiro de 1874, Adelaide Augusta Câmara, que seria conhecida em todo o Brasil e no exterior por Aura Celeste, pseudônimo com que assinava todos os seus escritos.

Professora no Colégio Americano Brasileiro, Adelaide Augusta Câmara, que militou durante longos anos no Protestantismo, conheceu em 1898, no Rio de Janeiro, para onde se deslocara o insigne Bezerra de Menezes (Max), expoente da propagação da Doutrina Espírita, com ele iniciando seu desenvolvimento mediúnico no Grupo Ismael.

Com formação de Professora Normalista, Aura Celeste encarou desafios numa sociedade marcadamente machista e, que na sua vida ampliou-se por suas escolhas pelo trabalho no magistério. Depois de chegar no Rio de Janeiro, começou a lecionar no Colégio “Ramp Williams”, mas logo depois ela organizou, em sua própria casa, um curso primário, onde muitas eminentes figuras daquele tempo aprenderam as primeiras letras.

Com supervisão de seu mentor, Bezerra de Menezes, iniciou seus trabalhos espirituais como médium psicografa no núcleo de trabalhos mediúnicos da Federação Espírita Brasileira. Com o desencarne de Bezerra de Menezes, Aura Celeste passou a trabalhar no Centro Espírita “Cáritas”, junto com o grande benfeitor Inácio Bittencourt. Como médium desenvolveu a incorporação, vidência, psicografia, curadora, intuitiva e a faculdade de transporte.

Em 1906, apos o seu casamento com Dr. Amaro Abílio Soares, devido às necessidades em virtude de seu matrimonio, Adelaide Augusta Câmara empenhou-se por outros caminhos na Doutrina Espírita, dedicando-se a publicações doutrinarias e a sua vertente de poetisa de grande sensibilidade. Podemos destacar os títulos “Orvalho do Céu ou “Flores do Céu”, “Sentimentais” e “Do Além”, assumindo a partir dessas obras o pseudônimo “Aura Celeste”. Somente em 1920 ela retornou para as tribunas e para o trabalho mediúnico. Aura celeste passou a operar muitas curas, através do espírito do Dr. Joaquim Murtinho. Notável foi sua contribuição na divulgação da Doutrina, por meio de trabalhos mediúnicos e conferencias que pronunciou no Rio de Janeiro e outros Estados da Federação, inclusive escrevendo artigos para vários jornais.

Em 1923, por convite de Dr. João Carvalho Junior, juntamente com um grupo de adeptos do Espiritismo dedicados a caridade, fundou o Asylo Espírita João Evangelista, encampando enorme esforço de divulgação e angariação de recursos para a instituição. A sua personalidade e o seu reconhecido trabalho divulgado pelo pseudônimo “Aura Celeste”, gravitou num contexto de dificuldades semeando a causa da caridade e agregando inúmeros trabalhadores para os propósitos “ de cuidar e proteger a criança desvalida”.

Em 1927, inaugurou o Departamento Infantil, lançando os alicerces do trabalho realizado ate os dias de hoje. Ao longo dos 21 anos militando pelas causas do amor e da caridade, exerceu por vários anos os cargos de diretora e presidente de forma simultânea conduzindo com inteligência e dedicação para os diversos desafios que se colocavam para a continuação do funcionamento da instituição: perseguição religiosa, recriminação política pelos governos da época e dificuldades financeiras.

Adelaide Augusta Câmara desencarnou a 25 de outubro de 1944 e o “Asylo Espírita João Evangelista” é a sua maior obra. Aura Celeste é um exemplo a ser seguido por todos. Aos espíritas que enfrentam dificuldades, ela deu provas em sua existência corpórea da vitoria diante das dificuldades e dos comportamentos alheios ao conhecimento da doutrina espírita. Ás mulheres, a coragem por enfrentar o machismo que procurava limitar e delimitar o lugar das mulheres na sociedade. Á sociedade de maneira geral, por expressar a imagem viva das possibilidades abertas a partir do progresso intelectual, moral e espiritual. Ao desenvolvimento não apenas de si, mas da capacidade de articulação e movimentação para criar um cenário novo no movimento social, de face carinhosa, amorosa e protetiva. E para todas as gerações que passaram pelo “Asylo Espírita João Evangelista”, no qual singelamente “Aura Celeste” é “Mamãe Aura”, traduzindo a face da grande mãe ao encontro dos sentimentos mais amorosos e mais edificadores de sua vida e de toda uma legião de seus filhos.

Dr. Amaro Abílio Soares Câmara (1878 – 1946).
AMARONasceu em Natal no dia 5 de Janeiro de 1878 Dr. Amaro Câmara, filho do professor Joaquim Lourival Soares Câmara e D. Marcinila Celsa Araujo Câmara. Iniciou os estudos de Direito no Recife, interrompendo os estudos, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde, por concurso, foi nomeado para o cargo de Conferente da Alfândega, cargo em que se aposentou em 1936.

Em 1906, contrai matrimonio com Dra. Adelaide Augusta Câmara Amaro Abílio Soares, militando ao seu lado como trabalhador e companheiro incansável em prol da Doutrina Espírita, fornecendo o suporte e a compreensão necessária para o desenvolvimento espiritual para Aura Celeste.

Ávido pela busca da evolução intelectual, moral e espiritual, conclui o curso de Direito iniciado anos atrás no Recife, em 1921. Por essa época, dedica-se em 1923 ao lado de sua companheira na fundação do “Asylo Espírita João Evangelista”, sendo o responsável por defender e atribuir o termo “espírita” a instituição fundada. Desta forma, define os princípios cristãos e espíritas ao Asylo, perpetuando valores no ato, por ele realizado, de nomear.

Exerceu por diversos anos os cargos de 2º tesoureiro e procurador do Asylo, prestando inúmeros e preciosos serviços para o prosseguimento dos ideais de amor e caridade. Em 20 de junho de 1946, Dr. Amaro Abílio Soares Câmara desencarna, deixando um legado de trabalho, dedicação e, exemplos nas possibilidades da pratica de relações amorosas, com respeito, liberdade e companheirismo.

PODEMOS DESTACAR AINDA:
O Dr. João Carvalho Junior, juntamente com um grupo de adeptos do Espiritismo dedicados a caridade, que contribuíram na fundação do Asylo Espírita João Evangelista.